quinta-feira, 1 de março de 2012

A arte de viver

                                                                            
Há um dizer de Italo Calvino assim:
“O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos.
Há dois modos para não o sofrermos.
O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos.
O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.” 
    Meus comentários;-
Quando Italo diz que para reconhecer o inferno é necessário "uma atenção e uma aprendizagem contínuas", praticamente está definindo "a arte do viver".
 Consiste nos "sinais" que guardamos em nossa memória, capazes de detectar os perigos da vida.
Sabemos que não podemos por o dedo no interruptor que levaremos choque, sabemos que não podemos atear fogo próximo à materiais inflamáveis, sabemos que se construirmos casas nas encostas deslizarão na época das cheias: ou seja, a experiência do viver e do observar outros viverem, faz-nos cada dia mais sábios e aptos a acertar na vida.
No entanto, por que determinadas pessoas não aprendem com a experiência?
E algo ainda maior: Por quê é justamente no terreno das relações humanas que dificilmente adquirimos a tal sabedoria para " reconhecer o inferno"?
Será que nesta área deixamos de fazer o justo e fidedigno arquivo de fatos?
Ou na verdade deixamos de ler os sinais?
Ou, lá no fundo, sem muita consciência " nos apetece mesmo é a vida infernal"?
Queremos ser felizes?
 Então por quê batemos sempre à porta do inferno? 

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