domingo, 26 de agosto de 2012

Um grande paradoxo...



Li uma crônica versando sobre "o porquê das coisas acabarem-se na vida".
Dentre algumas citações enumeradas pelo autor, a que mais chamou-me a atenção, foi ele ter dito que algumas coisas acabam porque "paradoxalmente" existe muito amor. 
Penso ser inadmissível explicar a demolição ou destruição das relações e das coisas, imputando uma culpa ou responsabilidade na ocorrência do amor, seja ele em grau excessivo ou não...
O amor é uma força essencialmente propulsora.
Ele impulsiona as pessoas ao desenvolvimento, ao crescimento, a felicidade e ao bem-estar.
O amor ajunta, cria, floresce, multiplica, e gentilmente torna tudo mais belo e agradável.
Creio que o autor não tenha ido fundo na busca dos reais motivos do fracasso
dos vínculos e das situações relacionais.
Na verdade, por detrás desse desmoronamento e insucesso tão frequentes jaz o "medo".
Este sim é o grande vilão nessa fenomenologia trágica.
As situações de desgraça apontadas pelo autor estão relacionadas ao "medo paralisante" que o ser humano sente do "amar", na medida que ele reconduz ao "ser amado", e é justamente nesse ponto que emana todo o pavor humano: mais especificamente no "medo de não ser amado" ou, em outras palavras, "o ser rejeitado". 
O medo de amar e não ser correspondido é tão assustador ao indivíduo, que pode conduzí-lo a investimentos de ataque e destruição das suas relações, num movimento de interromper a angústia que brota da dependência ao outro,  promovendo assim a antecipação da separação e da ruína do vínculo, já que não se crê no sucesso e na possibilidade de ser amado, e na obtenção de um final feliz de seu caso amoroso.
Tal medo de não ser amado cria expectativas "de avaliação e comprovação"  constantes
quanto a existência e a eficácia do amor.
Assim, os amantes passam a exigir juras e garantias de serem amados por seus parceiros, e o medo da perda acaba por roubar  o sono e a paz dos corações  apaixonados. 
Assistimos diariamante à exaltação e à apologia do amor. 
No entanto, elas representam apenas palavras impensadas e expressões corriqueiras,
visto que o ser humano tem uma dificuldade imensa de transitar e lidar com o "amar".



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