sábado, 8 de setembro de 2012

Razão à vista



Com o advento da internet, a expansão de ideias e o “conhecimento” assumiram
proporções surpreendentes e incalculáveis.

A possibilidade de acesso à tantas informações num leve toque de teclas, gerou mudanças sociais profundas.
Essa disponibilidade imensa de dados livres e circulantes trouxe-nos muitos avanços, mas também retrocessos.

Dentre essa imensa quantia de publicações não selecionadas, e dispostas a bel prazer, qualquer uma delas acaba por ganhar um espaço de exibição, assim como  adquirir um status de verdade e existência, podendo ser acessada e creditada por qualquer internauta.

Isso tem gerado uma grande confusão de valores, devido a dificuldade de distinguir entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bom e o mal; e assim, acaba-se dando crédito a tudo o que se lê, incorrendo à uma corrupção do “saber e do pensar”.

Esse excesso informativo visa oferecer-nos tudo pronto e mastigado, levando-nos à estagnação da curiosidade e da pesquisa, à uma paralisia do pensar e mesmo a um "pensar falseado".
Faz-se necessário, portanto, pontuar e corrigir certas publicações, ou mesmo elaborar um aparte às que oferecem dúvidas e credibilidade, a fim de que o leitor decida sobre o caráter de verdade e de validade entre elas.
É  o que vou fazer em relação à uma frase que li nesses últimos dias. Criarei um aparte de questionamento sobre sua legalidade e confiabilidade.
"Quantas chances de viver loucuras memoráveis a gente desperdiça com essa mania besta de pensar?"
É uma frase curta e divertida, mas ao verificá-la mais de perto e dar-lhe a devida significação, veremos
a insensatez de tal informação.
O pensar é uma função mental de destaque dentro das espécies, o “top de linha”  na cadeia evolutiva. Somente o ser humano foi provido dessa habilidade especial, e ela implica o máximo de aquisição na escala de desenvolvimento
e superioridade entre os seres vivos.
A "possibilidade de pensar" foi justamente o atributo maior da nossa herança, dotou-nos de capacidades incríveis, como: transformar o mundo, poder criar, facilidade de mover-se no mundo, de se desenvolver e de atingir patamares de conquista e felicidade ilimitados.

Assim, é impossível afirmar ou insinuar que uma tal função deveria ser abolida ou desprezada, ou mesmo acusá-la de dificultar, prejudicar ou empobrecer o viver, quando ela surgiu justamente para facilitar o "transitar" do homem no mundo, ampliar nossos horizontes, nos prover de meios de superação de problemas e dificuldades, dilatando as nossas capacidades e percepções, e tornando possível o desdobrar muito mais eficiente dos nossos sonhos, impulsos e projetos, dentro de uma realidade externa.
Num ímpeto de defender e salvaguardar o argumento do autor, devo dizer que talvez ele tenha querido pontuar ou fazer referência às formas patológicas de “pensar”, onde tal função, por sofrer sérios comprometimentos emocionais, passaria a funcionar de maneira prejudicada, como se fosse uma espécie de "ruminação mental", onde há um "pensar" repetitivo, circular e usado no sentido de criticar a si próprio ou ao mundo (os outros), ou no sentido da desconfiança e dúvida sobre tudo, etc., de modo que a pessoa esteja sempre a remoer pensamentos ruins, a maquinar coisas trágicas, a conspirar contra pessoas e contra o mundo, ou mesmo apresentar um quadro mental baseado no pessimismo e descrença frente à vida.
Finalizando, o pensar "normal" e não comprometido por disfunções emocionais será sempre um processo mental produtivo e engrandecedor ao ser humano.
Foi o que levou Descartes a afirmar que quem pensa é consciente de sua existência,
na sua frase tão conhecida e célebre : "penso, logo existo."
 



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