quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Contos de fada



Contos de fada são expectativas paradisíacas que os humanos carregam dentro de si, nos seus arquivos de memória, as quais eles ainda sonham concretizar no seu mundo real.
Diz respeito à uma vontade de restaurar e fazer voltar à tona um "tempo perdido e passado", no qual éramos "tudo" para uma pessoa (nossa mãe), e vivíamos em condições de onipotência, como se fossemos o "centro do Universo".
O dito popular resume mui bem nossa condição primeva na vida: "Sua majestade: o bebê".
No passado fomos príncipes e princesas para os nossos pais, e até hoje estamos a tentar resgatar o trono perdido e o amor exclusivo.
Particularmente, soa-me entediante a condição de "ser príncipe ou princesa".
Acredito ser solitária, monótona e sem graça a vida num castelo: com muitas regras, etiquetas e comportamentos estereotipados a cumprir.
Talvez seja por isso que os contos de fada se encerrem sempre da  forma "viveram felizes para sempre", e que nunca se transponha os portões do castelo para saber o que vai lá dentro, na intimidade e no cotidiano do casal.
Para mim o "viver" tem mais a ver com adrenalidade do que com fadas. 
Tem que incluir riscos, realidade, ousadia, problemas, lutas, frustrações, vibrações, conquistas, paixões, sofreres e vitórias obtidas na garra.
Sendo assim, um "casamento de fato" não pode ser um encontro de duas pessoas prontas, feitinhas um para o outro e que, uma vez colocadas juntas, faz desenrolar um filme de felicidade eterna.
Isso é balela, ilusão e delírio.
Casamento é a possibilidade na qual duas pessoas poderão vir a realizar e a constituir um "encontro efetivo e afetivo", através da dedicação e esforço mútuo e contínuo, na direção de aprender a "ser um par" e de "viver a dois".
Assim sendo, casamento não pode ser emparelhado ou confundido com um conto, um folclore, uma lenda, uma ficção, uma historieta à la carochinha ou algo assim, pois é antes de tudo uma história de vida e de realização árdua e séria.


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