terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A inveja




A inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. 
Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre 
trevas espessas [...].
A palidez cobre seu rosto, seu corpo é descarnado, o olhar não se fixa em parte alguma. 

Tem os dentes manchados de tártaro, o seio esverdeado pela bile, a língua úmida de veneno. 
Ela ignora o sorriso, salvo aquele que é excitado pela visão da dor [...].
Assiste com despeito o sucesso dos homens e esse espetáculo a corrói; 

Ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício. 
(Ovídio, 1996, p. 770 e seg.).

Em Ovídio, a inveja é um espetáculo que corrói e que se alegra a ver a dor do outro. 

O desejo de privar o outro da sua felicidade é nela mais decisivo do que o de obter a posse da coisa desejada.




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