sexta-feira, 5 de abril de 2013




Estava eu a verificar num dado site uma sequência de imagens em zoom, e fiquei a considerar que uma das possibilidades deste recurso, e a mais empregada, é a possibilidade de fotografar em closes grandes, proporcionando a ampliação e a grande aproximação da imagem. 
Fiquei a pensar na contraposição desta técnica tão atual com a tendência do ser humano de esconder-se sempre do que realmente ele é de fato, ou seja, a preocupação e a necessidade de manter um distanciamento necessário do outro, a fim de não revelar a verdade de si mesmo.
Me veio à mente os rostos e os corpos extremamente ampliados de homens e mulheres, vistos em mínimos detalhes e sob todos os ângulos, e por inteiro; onde acreditamos no que estamos a ver, e de que aquilo que vemos constitui o que realmente eles são, quando tudo na verdade não passa apenas de "envelopes de pele" e "pura exterioridade" daquele "ser" que se deixou fotografar. 
O nosso olhar tão incompetente não consegue ir além da pele, não sabe e não aprendeu a se projetar no interno dos seres, e uma vez que "estes" nunca se mostram subjetivamente nus, permanecerão eles completamente desconhecidos de nós, apesar dos seus rostos e corpos tão próximos e evidentes.
Quis referir-me ao distanciamento cada vez mais frequente entre as pessoas, embora os recursos tecnológicos consigam sugerir e insinuar uma aproximação acentuada e eficiente entre os sujeitos. 


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