quinta-feira, 27 de março de 2014

Cila e Caríbdis



Na obra "Odisséia", de Homero, Ulisses só consegue retornar a Ítaca depois
de passar por Cila e Caríbdis.
Na mitologia grega Cila e Caribdis eram vistos como monstros marinhos que tudo
devoravam e, portanto, dois grandes perigos para a navegação.
Cila é um rochedo e Caríbdis é um redemoinho, muito próximos um do outro,
e localizadas no Estreito de Messina.
A expressão “ultrapassar Cila e Caríbdis” acabou sendo usada quando queremos
nos referir à coragem  para ultrapassar qualquer dificuldade e obstáculo.
 ...

Penso que viver é a "odisséia particular" de cada indivíduo, e que, tal qual Ulisses,
teremos que atravessar Cila e Caríbdis em alguns pontos de nossas vidas.
Assim sendo, todos nós estamos fadados a percorrer este “Estreito”, que é a
"existência humana", e enfrentar as vicissitudes que certamente estarão pelo caminho.
Alguns dispõem de mais força e coragem para fazer frente às Cilas e Caríbdis do trajeto,
outros de mais astúcia e sabedoria na escolha dos melhores caminhos, que delas desviem,
e outros tantos, infelizmente, sucumbirão às investidas perigosas destes monstros.
Cada um de nós terá de descobrir, por si só, como fazer essa travessia,
 e de que modo poderemos ser salvos.
Esta é a nossa tarefa e missão na vida.
Em sendo assim, eu te pergunto:
Estarias preparado para esta navegação ou temes
demasiadamente e assustadoramente um súbito naufrágio?

...

Tenho observado sujeitos, nos quais se apercebe uma descrença imensa
em relação às suas potencialidades e forças internas.
Experimentam um sentimento de terror e um medo horrível de não encontrar
energias dentro de si próprios para os enfrentamentos da vida.
Pode-se dizer que vivenciam uma sensação real de que estão a morrer,
e não conseguem de maneira alguma conter este medo.
Tenho também observado que, tal “medo excessivo” é geralmente infundado,
e trata-se apenas de uma fantasia de fragilidade e impotência,
e que na verdade e na realidade, tais pessoas estão aptas e capacitadas
a percorrer normalmente tais corredores da vida.
Acho que o que está a faltar em tais sujeitos é uma maior tranquilidade
e paciência consigo próprios, a fim de que o medo e o desespero não venha a
paralisar seus "processos de pensar" e que, assim, consigam encontrar saídas
e boas resoluções para os seus dilemas e dificuldades.
Eu pediria a tais pessoas mais calmaria ao avistar, ora Cila ora Caríbdis,
e que não desacreditassem da força do seu“Eu”,
e que não duvidassem da configuração dos seus talentos, e nem tampouco
da solidez dos seus ímpetos e dos seus impulsos de vida.

Ao manter íntegros seu equilíbrio e a sua tranquilidade, estou certa que,
 tal como Ulisses, conseguirão alcançar
a tão esperada e ansiada Ítaca.
Bon voyage!
Je serai avec vous...




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