domingo, 16 de março de 2014

Delícia de invento



Alguém envergonha-se de sua vida e de quem realmente é.

É verdade que, um certo coeficiente de vergonha é extremamente natural e esperado no ser humano, pois isso revela seu caráter moral e seu sentido social; entretanto, se tal vergonha se expressa de forma acentuada, interferindo no seu viver ou provocando um fechamento das suas relações pessoais, então já é hora de debruçar-se em cima do problema para certas reflexões.

A vergonha é uma reação do sujeito frente a si mesmo, ou seja, "ele" se olha, e não gosta daquilo que vê e de quem ele vê.  Sente-se aquém de ser “alguém que vale a pena”, e seus aspectos mais íntimos são avaliados e sentidos de forma negativa.

Construímos uma imagem que nos representa no mundo – uma imagem na qual “parecemos ser” ao invés de “realmente ser ” e assim, tentamos esconder aquilo que imaginamos não agradar o juízo dos outros, e o que não irá ser aceito por aqueles que nos interessam.

Não obstante, se em algum momento há o risco inesperado de ser visto ou flagrado como realmente se é, ou de se expor a verdadeira imagem ao público, surge o sentimento de vergonha, onde as certezas de si mesmo são abaladas, a inferioridade aflora e o chão parece ruir.

É o sentimento de sofrimento em relação ao que o outro vai pensar de nós, o medo do olhar de desaprovação de "um outro" sobre a nossa pessoa.
 
Para sentir vergonha, a pessoa provavelmente deve estar se comparando com um modelo, algum referencial próprio ou com outras pessoas que lhe sejam significativas, e teme não cumprir ou atingir as expectativas destes com quem ela se compara (principalmente as expectativas dos pais).
Assim sendo, cabe aqui perguntar:

Quem é o outro a quem tanto queres agradar?

Será que só agradas se mostrar perfeição?

Já pensastes que para agradar o Outro tens de conhecer primeiro as expectativas e os gostos internos dessa referida pessoa? Como então, a priori, espera e tenciona agradá-la? Mediante adivinhação? Telepatia? Não seria tudo isso uma loucura ou delírio?

Se ainda não te aprecias, corrige-te nos pontos em que precisas e podes melhorar.
Em vez de se lamentar e estar infeliz pelas suas ações passadas, centra-se no que está a viver “ aqui e agora”, pois a vida é uma passagem de aprendizagem, onde são os erros que nos conduzem aos acertos, e as nossas ações futuras devem desejar e visar o nosso desenvolvimento, aprimoramento e evolução
a cada dia que vivemos.

Assim sendo,...
 Se erros houve, faça deles a plataforma para a sua ascensão, e igualmente o aprendizado necessário para alavancar a expansão do seu “ser”.

Convido-o, finalmente, a repensar tuas posições a respeito da sua própria vergonha e de si mesmo:

Sugiro não temer seus pensamentos e nem sentir culpa dos seus desejos e vontades, sejam eles quais forem.

Convoco-o a passar pelo mundo respeitando as suas diferenças em relação aos outros humanos, e as marcas que são só tuas, e que se infiltram em sua pele e em sua mente.

Rogo-lhe honrar sua singularidade e suas inscrições originais porque são exatamente "aquilo" que o distingue de todos os outros seres viventes.

Entusiasme-se por você mesmo, pois és uma invenção humana única.

Invenção essa que eu adoro!





Nenhum comentário:

Postar um comentário